Ficar cego. Criar pelos nas palmas da mão. Ter o rosto arruinado por espinhas. Enlouquecer e passar o resto da vida babando…Estas eram apenas algumas das terríveis consequências atribuídas à masturbação em tempos de repressão sexual. E mais, por não levar à procriação foi associada ao pecado, condenada como comportamento imoral. E na pior das hipóteses, mesmo em tempos de maior liberdade sexual, seria o refúgio dos solitários e dos desajustados sociais, incapazes de conseguir “sexo de verdade”.
Porém, este é apenas um lado da estória. A masturbação, a cada dia que passa, começa a ser vista e compreendida como uma forma natural de prazer. Da iniciação sexual na adolescência, como forma de auto-conhecimento, como forma de dar vazão às fantasias sexuais e chegando a uma prática legítima em si mesma, a masturbação está na moda.
Segundo esta visão mais positiva, é preciso primeiro aprender a se dar prazer, para ser capaz de receber prazer de outra pessoa. Principalmente para as mulheres, a masturbação surge como uma forma de conhecimento básico do prazer sexual, como forma de escapar da programação negativa que nossa cultura ainda impõe sobre a sexualidade feminina.
Mais do que isso, a masturbação pode ser considerada como um fundamento do sexo, uma habilidade básica que deve ser conquistada antes que novas formas de prazer, como por exemplo o sexo oral, sejam exploradas.
Masturbar-se a dois, portanto, é um exercício de confiança e de intimidade. Ao conhecer mais sobre o corpo e sobre a resposta de prazer de seu parceiro ou parceira, será mais fácil explorar novas situações e sensações. Mas além da técnica e dos estímulos físicos, é na comunicação, no desejo mútuo e na fantasia que reside o grande poder da masturbação.












